Tier 1, 2 ou 3? Você sabe a diferença?

No cotidiano, quando o assunto é energia renovável, alguns termos comumente encontrados em artigos e outras publicações, até mesmo em algum pedido de clientes, podem parecer estranhos a princípio. Realmente, é universo ainda pouco conhecido e que possui um ritmo de mudança muito grande. Quem nunca se deparou com um tal de TIER 1?

Com a popularização da produção de energia solar, surgiram centenas de empresas provedoras de soluções, muitas delas longe dos olhos de quem compra. Para quem tem o poder de decisão, o investimento é tão alto quanto o risco e a insegurança percebidos. Por esse motivo, a empresa Bloomberg New Energy Finance (BNEF) criou a classificação TIER, com o intuito de auxiliar seus clientes a decidir em qual empresa fabricante confiar na hora de adquirir os módulos fotovoltaicos. A BNEF analisa os grandes projetos desenvolvidos na área de energia solar que foram financiados por instituições financeiras internacionais, assim como as informações do desempenho dos diversos fabricantes nesses projetos. O resultado é uma listagem anual dos melhores fabricantes em termos de reputação e capacidade em honrar seus compromissos.

Existem 3 níveis de TIER: TIER 1, TIER 2 e TIER 3. Cada nível possui um índice de exigência e, entre eles, existe um ranking do melhor para o “menos melhor”. A classificação é feita considerando alguns aspectos:

TIER 1

  • Possui toda a fabricação do módulo de forma integrada e com o controle desse processo em sua(s) planta(s) industrial (is), desde a produção da placa de silício até o encapsulamento final;
  • Investe fortemente em P & D (Pesquisa e Desenvolvimento);
  • Deve possuir alta automatização no processo de fabricação dos módulos, com pouquíssima interferência humana;
  • Deve ter fabricado módulos por mais de 5 anos, e realizado vendas com financiamento através de instituições financeiras internacionais.

TIER 2

  • Possui parte da fabricação do módulo de forma integrada e parte em terceiros;
  • Investe pouco em P & D (Pesquisa e Desenvolvimento);
  • Possui baixa automatização no processo de fabricação dos módulos;
  • Deve ter fabricado módulos por mais de 2 anos, e realizado vendas com financiamento através de instituições financeiras internacionais.

TIER 3

  • Empresa montadora de módulos;
  • Não investe em P & D (Pesquisa e Desenvolvimento);
  • Não possui automatização no processo de fabricação dos módulos, sendo a montagem de forma manual;
  • Seus projetos nunca foram financiados por instituições financeiras internacionais.

A mais recente lista de fabricantes classificados como TIER 1 é apresentada abaixo:

1- Jinko Solar;

2- Canadian Solar;

3- Risen Energy;

4- JA Solar;

5- Hanwha Q-CELLS;

6- Trina Solar;

7- LONGi Solar;

8- GCL Systems;

9- Talesun;

10- Seraphim;

11- Suntech;

12- Renesolar;

13- ZNShine;

14- First Solar;

15- Chint;

16- LG;

17- BYD;

18- Eging;

19- Phono Solar;

20- Jinneng;

21- REC;

22- Waaree;

23- HT-SAAE;

24- Adani;

25- Vikram Solar;

26- ET Solar;

27- Neo Solar;

28- Lightway;

29- Boviet;

30- Hansoltechnics;

31- S-Energy;

32- AU Optronics;

33- Shinsung;

34- Heliene;

35- Sharp.

 

O questionamento que persiste é se esse rol de estrelas reflete a qualidade do produto por eles fabricado. Analisando o que a BNEF leva em consideração, é possível afirmar que as empresas possuem boa saúde financeira, que podem honrar seus compromissos, e que terão capacidade técnica e financeira para sanar um  eventual erro de projeto. Porém, não é possível definir a qualidade do produto somente através desses itens.

É necessário levar em conta que a BNEF não tem como itens de análise os ensaios previstos em normas internacionais, dentre deles os de durabilidade e confiabilidade. Tal análise é realizada por empresas como a DNVGL,  uma empresa norueguesa de qualificação que certifica diversos fabricantes de painéis no mundo através dos ensaios previstos em norma. Logicamente que a maioria dos fabricantes TIER 1 também figuram no ranking da DNV GL, mas isso não é  um pré requisito e não atua de forma diretamente proporcional para sua colocação.

Integradores e clientes devem ficar atentos a esses rankings. São importantes para uma definição, para uma tomada de  decisão, e pela segurança que proporcionam. Contudo, vale lembrar que, aqui no Brasil, devemos comprar e instalar somente módulos certificados pelo INMETRO. De nada adianta ser TIER 1 ou líder do certificado DNV GL se não passar pelo crivo do órgão certificador oficial.

2020-02-11T12:07:29+00:00
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